Histórico

Apresentação

São trinta anos promovendo a educação na comunidade da Zona Oeste de Santa Maria. São trinta anos acompanhando o crescimento a comunidade do Bairro Jucelino Kubitschek.

A Escola Estadual de Educação Básica Augusto Ruschi, nos seus trinta anos de existência, olha para trás e relembra, com orgulho, a trajetória de lutas e vitórias em prol do desenvolvimento de Santa Maria.

Assim, procurando preservar a história desta instituição estadual, através das memórias das pessoas que atuaram e atuam na construção e perpetuação do seu Projeto Pedagógico, ilustrado por fotos e reportagens publicadas em periódicos locais e regionais, o presente Histórico objetiva preservar e divulgar esse patrimônio educacional e cultural que alicerça o ensino em Santa Maria e Região. Para tal, aconteceram entrevistas, releitura do Histórico da Escola produzido em tempos remotos e coleta de materiais escritos e fotográficos para análise.

 

Um pouco da comunidade…

A comunidade escolar pertence aos Bairros Jucelino Kubitschek e Nova Santa Marta, mas a Escola atende estudantes de toda a região oeste de Santa Maria.

Em 7 de Dezembro de 1991 ocorre a Ocupação da Fazenda Santa Marta no distrito da Sede. Surge, a partir daí, o que vem a ser hoje o bairro Nova Santa Marta. Uma de suas Unidades Residenciais, a Vila 7 de Dezembro homenageia a data, havendo, inclusive, uma linha de ônibus do Centro de Santa Maria até o bairro com este nome.

A Fazenda Santa Marta tinha 1126 hectares, e, em 1979, o governo do estado desapropriou a área, e:

  • 782 hectares foram para a Companhia de Desenvolvimento Industrial e Comercial do Rio Grande do Sul (Cedic), e, desses:
    • 300 hectares foram para o Distrito Industrial de Santa Maria – hoje, Unidade Residencial do bairro Agroindustrial.
    • 482 hectares foram para a secretaria estadual da agricultura.

       
  • 343,70 hectares foram para a Companhia de Habitação do Estado (CoHab), e, desses:
    • 38,70 hectares foram usados para a implantação do loteamento Nucleo Habitacional Santa Marta (Cohab Santa Marta) – hoje, Unidade Residencial do bairro Juscelino Kubitschek.
    • Até 7 de dezembro de 1991, quando começou a ocupação o Estado apenas utilizava a area do Distrito industrial e o conjunto da Cohab Santa Marta.

Quanto a infra-estrutura, a água só chegou ao local no final de 2002, e luz em 2003, e, em 2006 o asfaltamento da Avenida Mallmann Filho.

O bairro surgiu oficialmente em 2006 de área até então sem-bairro e mais uma pequena parte do Juscelino Kubitschek, e, é oficialmente denominada de bairro Nova Santa Marta. Até então, a região, segundo o IBGE, cerca de 34 mil habitantes – não pertenciam a bairro algum. Limita-se com os bairros: Agro-Industrial, Caturrita, Juscelino Kubitschek, Passo D´Areia.

O bairro Jucelino Kubitschek já existia oficialmente em 1986 e não teve nenhuma mudança significativa em seu território em 2006 – quando da reconfiguração dos bairros do distrito da Sede[1]. E, é muito conhecido pela sua principal Unidade Residencial: Cohab Santa Marta. Limita-se com os bairros: Agroindustrial, Noal, Nova Santa Marta, Passo D´Areia, Patronato,Pinheiro Machado, Renascença, São João.

As Coahb(s) – Companhia de Habitação – foram criadas para atender a necessidade de moradia a um valor acessível as pessoas de baixa renda. O Núcleo Habitacional Santa Marta compõe o quadro de construções, neste estilo, desenvolvidas nos anos 70 e 80 na cidade de Santa Maria.
Localização

A Escola existe como instituição de ensino desde 1980, e funcionou como anexo da Escola Estadual Padre Caetano. Ela surgiu para satisfazer a condição de que nenhum Núcleo Habitacional poderia ser criado sem a existência de uma escola para atender a comunidade que ali estava se instalando: Núcleo Habitacional Cohab Santa Marta.

A partir do ano de 1982 as aulas foram transferidas para o Salão Comunitário no local do atual Posto de Saúde Santa Marta. Entretanto, a administração continuava sob a tutela da Escola Estadual Padre Caetano. Todas as reuniões e determinações administrativas aconteciam no Pe Caetano.

1983 foi marcado pelo funcionamento da Escola em dois pavilhões pequenos. Um pavilhão onde estavam as salas de aula e um pavilhão onde se situava a secretaria, direção, supervisão e cozinha.

Os prédios definitivos e que sustentam o trabalho pedagógico até hoje foram entregues em 05 de maio de 1986, sendo a escolaridade abrangente de Pré-escola a 8ª série.

Porém, o então Governador Jair Soares agendou a visita à Santa Maria somente em 05 de janeiro de 1987 do mesmo ano quando, em solenidade, assinou a entrega dos novos prédios.

Essa construção seguiu o estilo de um projeto americano chamado NORIE, em homenagem ao engenheiro que o criou, e era usada para presídios americanos, isto se observa nos prédios bem afastados, quase sem comunicação e a parte administrativa centralizada e distante dos prédios onde funcionam as salas de aula.Também se observam paredes muito resistentes com filas duplas de tijolos, desnecessárias para um estabelecimento onde funcionaria uma escola. Esse tipo de construção não permite alterações na estrutura.

A implementação do Ensino Médio só ocorreu em 1990 quando foi autorizado pelo Conselho Estadual de Educação, passando a ser o único ensino, neste nível, na zona oeste da cidade. Passou a se chamar Escola Estadual de 1º e 2º graus Augusto Ruschi.

Enfim, a Escola ocupa uma área de 8.497,50 m², onde se encontram atualmente dez blocos identificados pelas letras do alfabeto. Além dos prédios, sua área disponível é de 15.750,25 m² para a prática de educação física, ajardinamento, horta, recreação e estacionamento.

 

Denominações

A escolha do nome da Escola ocorreu através de Assembléia Geral, onde houve participação de pais, alunos, professores e funcionários.

Surgiram três nomes para concorrer: Getulio Vargas, Princesa Isabel e Augusto Ruschi. Foi escolhido o nome de Augusto Ruschi, devido aos relevantes trabalhos prestados na preservação do Meio Ambiente, além de ter sido o maior pesquisador do mundo em orquídeas e beija-flores.

 

Augusto Ruschi: patrono da Ecologia no Brasil

Augusto Ruschi (Santa Teresa, 12 de dezembro de 1915 — Vitória, 3 de junho de 1986) foi um agrônomo, ecologista e naturalista brasileiro. É o Patrono da Ecologia no Brasil[1] e um dos ícones mundiais da proteção ao meio ambiente.O interesse pelo estudo de insetos e outros animais,[2] desde a infância, permitiu que conhecesse a fundo diversos ramos da biologia. Quando adulto, tornou-se professor titular da UFRJ e pesquisador do Museu Nacional, com vasta produção técnico-científica. Ajudou no combate a pragas na agricultura, na implantação de diversas reservas ecológicas brasileiras, como o Parque Nacional do Caparaó, e na divulgação científica acerca da natureza, produzindo cerca de 450 trabalhos científicos, 22 livros e um grande acervo sobre a Mata Atlântica. Montou 2 instituições científicas (a saber, o Museu de Biologia Professor Mello Leitão e a Estação Biologia Marinha Ruschi) e também colaborou na elaboração da Fundação Brasileira de Conservação da Natureza (FBCN).
(WIKIPÉDIA, http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Ruschi).

Dedicou-se às descobertas, defesa e estudo das espécies brasileiras, além da visão ecológica baseada na preservação, consagrando-o mundialmente.

Na primeira metade do século XX, Augusto Ruschi realizou excursões pelo Brasil e polemizou com personalidades acadêmicas, políticas e empresariais muitas questões relevantes sobre a importância de se pensar o homem e a natureza numa relação respeitosa e sustentável. Pioneiro do manejo sustentável das florestas tropicais, da agroecologia, do controle biológico de doenças tropicais e zoonose e das denúncias sobre o perigo dos agrotóxicos. Lutou e trabalhou incansavelmente afim de que se tomassem as medidas de contenção da poluição e da destruição – que ainda perduram – mas que muito depois do alerta do pioneiro passam a ser encaradas como prioridades.

Diretores

Desde sua fundação, a Escola contou com as seguintes direções:
1ª) Zilah Monteblanco Corrêa – 15/05/86 a outubro de 1988.
2ª) Vera Maria da Rocha – out/88 a dez/88
3ª) Leoneide Maria De Gregori – dez/88 a dez/ 91
4ª) Eunice Alves Corrêa – jan/91 a jul/94
5ª) Imara Souza Soares (interventora) – ago/94 a dez/94.
6ª) Eunice Alves Corrêa – jan/95 a dez/95.
7ª) Leoneide Maria De Gregori – dez/95 a dez/97.
8ª) Leoneide Maria de Gregori – dez/97 a dez/99.
9ª) Inah Huffel – dez/99 a dez/2001.
10ª Leoneide Maria de Gregori – jan/2002 a jun/2003
11ª) Anelise Stoever Bassotto – jul/2003 a dez/2003.
12ª) Luiz Carlos da Silva Farias – jan/ 2004 a dez/2006
13ª) Danclar Jesus Rossato
14ª) Maria Antonieta Pistoia Guimarães – Atual diretora

 

Episódio do “Cadeado”

Devido a implementação do Calendário Rotativo idealizado pela Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul, 1994, Governo Alceu Collares, senhora Neusa Canabarro, os professores e funcionários esboçaram seu descontentamento com a proposta e procuraram trabalhar independente das imposições deste na sociedade riograndense. O semestre letivo deveria iniciar em setembro deste ano, mas a Diretora, senhora Eunice Correa, juntamente com os demais professores, funcionários e integrantes da Equipe Diretiva, mantiveram o inicio das aulas para agosto, numa alusão ao desejo de manter o Calendário Escolar conforme planejado.

A escola trabalhou normal pela parte da manhã. Ao chegar, para o turno da tarde, no portão da Escola, a Diretora foi interpelada por integrantes da Brigada Militar do RS que a impediram de entrar e confiscaram as chaves. Na época o Coordenador Regional de Educação, que mantinha o título de Delegado de Educação, era o senhor Enio Tonini. O CEPERS, sob a coordenação do professor Budó, interviu junto a 8ª CRE a favor da Escola.

Os estudantes, impedidos de entrarem no pátio da Escola, foram distribuídos em três ambientes: na capela da comunidade, na casa de uma mãe de aluno (dona Eni) em frente à escola e no salão da Brigada Militar no Parque Pinheiro Machado.

Os professores corriam de um lugar pra outro afim de atenderam as turmas espalhadas.
Com a deposição do senhor Enio Tonini, assume a 8ª CRE, em setembro de 1994, 8ª Delegacia de Educação, a professora Magda Beatriz Raupp Motta recebendo os professores da escola que chegaram lá foram em protesto pela situação.

A Direção da Escola composta pelas professoras Eunice Correa, Maria Helena Félix Fernandes , Fátima Maria Santini, Terezinha Soares e Carmem Machado tiveram o seu afastamento e determinação de cumprimento de horário na sede da 8.ª CRE (01 a 15/09/94).
A Escola, neste período, esteve sob a intervenção da senhora Imara Souza Soares.

Como manifestação a situação da intervenção foi confeccionada camisetas com cadeado e o uso de um cartão retangular ao peito escrito “Faltam …. dias”. Cansada do protesto, dentro da Delegacia de Educação, das cinco professoras do Augusto Ruschi, a coordenadora distribuiu-as em escolas diferentes, bem ao extremo uma da outra. As professoras se negaram e o senhor Budó, juridicamente, requisitou a volta das professoras a escola de origem, ou seja, Augusto Ruschi. Não foi concedido e toda a Escola foi para o Fórum. O juiz Lugo, após piquete montado na entrada do Fórum, por dias seguidos, resolveu conceder o retorno das professoras. A 8.ª CRE teve que recolocar as professoras na Escola Augusto Ruschi.

Em repúdio a situação de intervenção, os professores cumpriam seu horário e ignoravam a direção (diretora e vice) de interventoras. No final do ano letivo de 1994 as interventoras entregaram os cargos na 8.ª CRE, sendo feita a entrega das chaves da Escola a professora Eunice Correa. Segundo relato da própria professora, com a entrega das chaves da escola, ficou claro que esta instituição é da comunidade escolar.
Projetos

A Escola está inserida em projetos institucionais ligados a Instituições de Ensino Superior localizadas em Santa Maria. Mas isso não é novidade.

Em 1992 a Escola foi indicada, na época, pela 8ª Delegacia de Educação de Santa Maria para integrar o Projeto de Educação Ambiental do Pró-Guaíba, como escola-pólo, devido a sua infra-estrutura escolar e às experiências já realizadas na área de educação ambiental. É a única escola da região com tal denominação em virtudes de projetos executados desde 1989.

Em 1996 a escola promoveu a 1ª ação como escola pólo com o plantio de 400 mudas de árvores ornamentais na comunidade escolar. Paralela a esta ação, os coordenadores formaram uma comissão de professores com o objetivo de identificar possíveis pontos de entrada, nos conteúdos vigentes, de dimensão ambiental nos currículos de 1º e 2º graus. Surgiram dificuldades, no momento que se observaram diferentes entendimentos sobre a expressão “educação ambiental” apresentadas pelos professores e coordenadores do projeto.

Atualmente, conta-se com o Programa Escola Aberta para a Cidadania, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) e o Programa Mais Educação, do MEC. Ainda, o Jornal da Escola, a Rádio Escola, o Xadrez entre outros contribuem para a agilização curricular integrando estudantes e seus familiares e contando com a contribuição das forças vivas da cidade e região
Premiações

Como premiação máxima, a Escola foi agraciada com o Prêmio de Referência em Gestão Escolar, fase estadual.

 
Educação de Jovens e Adultos
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